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LIÇÕES DO MAESTRO PARA O LÍDER

Amo assistir a concertos de orquestras. E, geralmente, enquanto assisto um espetáculo, me deparo pensando na liderança. Por quê?





A música tem o poder significativo de nos unir e evocar humores e memórias. E, assim como o maestro lida com diferentes habilidades, instrumentos, timbres e técnicas e consegue harmonizar tudo, produzindo um som impecável, os líderes têm o importante papel de manter o time unido e afinado. Numa orquestra, os músicos são especialistas no seu instrumento, no entanto, sozinhos não fazem música. Somente o time completo traz os resultados esperados de uma orquestra. Os solos têm sua vez, mas funcionam por determinado tempo. Assim também é em toda empresa. Quando concentramos nossa atenção no maestro, vemos que seus gestos são firmes e, ao mesmo tempo, suaves. Quando espera um tom mais forte ou uma mudança mais brusca na melodia, ele deixa isso claro não apenas com seu olhar, mas também com os seus gestos e movimentos corporais. Ele sabe dizer sem palavras. O maestro tem que ter carisma, força, vitalidade e estar ali, na frente de todos, inteiro, de corpo e alma. O maestro é o líder: aquele que rege, motiva quando necessário, que deixa claras as delegações, o que sabe ser firme quando necessário, que envolve e cativa com apenas um olhar e, algo primordial, ele trata todos com igualdade, independente se alguém toca um instrumento mais “nobre” que outros. Todos têm seus valores e competências. Como o maestro é claro e transparente, cada músico sabe a hora de agir, calar, começar, pausar, continuar e finalmente parar. Cada um, consciente de seu papel bem delimitado e do todo (visão sistêmica), contribui para a beleza, a harmonia e o sucesso do espetáculo. Ao pensarmos em líderes maestros, pensamos em pessoas criativas, confiantes e com poder de decisão que garantem sempre o ritmo do time. Eles são capazes de conduzir os músicos e todo o concerto, tal qual os profissionais de uma organização caminham para concluir um projeto ou chegar em uma meta. Conseguem fazer com que o indivíduo seja melhor do que ele mesmo pensava ser capaz. Sua condução leva ao protagonismo, ao novo e à oportunidade de pertencer a um grupo que faz dele ainda melhor. Quando um colaborador sabe seu papel, é reconhecido, está preocupado com a harmonia do todo e com os resultados da equipe, ele se dedica tal qual um músico instrumentista, e executa sua função com maestria. O líder-maestro lidera não por palavras, mas pelo exemplo. Imagina quando ninguém sabe o que deve ser feito e o gestor não é claro? A equipe se perde, a orquestra fica com som ruim e o resultado é a desarmonia. Para isso, como o maestro, o líder deve conhecer muito bem as habilidades de seus colaboradores (músicos), direcioná-los individualmente àquelas atividades que possuem maiores habilidades (cada músico com seu instrumento musical), apresentar a eles o produto ou serviço a ser produzido (partitura musical), definir a qualidade e o tempo que deve ser entregue tal produto ou serviços (tom e tempo musical) e, através de seu potencial de articulação, fazer com que esses colaboradores atuem em sintonia (gestos com sua batuta) para que juntos possam produzir e entregar ao cliente final, um produto ou serviço de excelência (apresentação da orquestra à plateia). Assim, ele busca o melhor resultado do seu conjunto. Estimula o bom ambiente, o “flow” para que a criatividade aconteça. Cria condições para que a motivação seja uma escolha, que a energia seja contagiante, e que exista cadência, ritmo e constância. O sucesso ou o fracasso de ambos, do maestro e do líder, dependerá muito da forma que conduz os recursos humanos e materiais disponíveis para concretizarem as entregas de seus resultados. Podendo ser esses resultados um ótimo produto, um excelente serviço ou um belo concerto. Já pensou como está a regência da sua equipe? Você está sendo bom maestro? Seus colaboradores sabem do papel que exercem no todo e se preocupam com a harmonia? Ou focam apenas no nosso “pedacinho” (instrumento). Vale sempre refletir sobre como anda minha liderança e como aprimorá-la. Édila Souza é Educadora Executiva e colunista do Gente Mais Portal.

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